Os dias da criação se sucederam
e o caráter de Deus ia sendo demonstrado em cada coisa criada.
Aprendemos, em Gênesis 1, que Deus é:
- Único - o texto nos mostra um só Deus criando tudo.
- Eterno – o livro dos princípios não relata o princípio de Deus.
- Onipotente – ele demonstra seu poder ao criar todas as coisas.
- Sábio – sua obra demonstra criatividade suprema.
- Soberano – ele dá diversas ordens e o universo se move em obediência.
Sete vezes Deus viu que era bom o que acabara de fazer (Gênesis 1.4,10,12,18,21,25,31).
Na sétima, ele viu que tudo era “muito bom”.
De onde vinha essa bondade?
Do próprio Deus.
Portanto, o texto nos ensina que Deus é bom.
Nem todas as características divinas estão manifestas em Gênesis 1.
Contudo, continuando a leitura bíblica,
vamos encontrando outras facetas do caráter divino.
Em Gênesis 3, diante do pecado humano,
ficam evidentes a santidade de Deus,
bem como sua justiça e sua misericórdia.
ORGANIZAÇÃO
O texto de Gênesis 1 nos mostra, de maneira bem interessante,
que Deus é organizado.
Ele fez todas as coisas na ordem necessária.
Primeiro a água, depois os peixes. Primeiro o céu, depois as estrelas.
Primeiro os minerais (1.1), depois os vegetais (1.11)
e, por último, os animais (1.20).
Deus não começou criando um boi
para deixar o animal urrando de fome.
Precisamos aprender com o Senhor a sermos organizados.
Se a nossa vida é desordenada em casa,
no trabalho, na escola, etc,
dificilmente alcançaremos um bom nível de realização.
Existe um tempo apropriado para cada experiência.
Adiantar, atrasar ou inverter a ordem pode causar muitos males.
Trabalhar antes de estudar,
ter filhos antes de casar ou casar antes de se definir profissionalmente
são exemplos de inversões que, se puderem ser evitadas, melhor será.
CADA COISA NO SEU LUGAR
Como parte de sua organização,
Deus separou as coisas, umas das outras.
Ele não queria misturas indevidas.
Logo no princípio, céus e terra já foram criados separados (1.1).
Depois, Deus separou luz e trevas (1.4,14,18),
águas e águas (1.6-7), águas de cima, águas de baixo,
os mares e a terra seca (1.9).
Talvez nós não separaríamos “águas e águas” (1.6),
pensando que tudo fosse uma coisa só.
Deus não vê dessa forma.
Água salgada e água doce precisam existir separadamente,
embora se encontrem em algum momento (Tiago.3.12).
Em nossas vidas, não podemos viver misturando as coisas,
o santo com o profano,
o limpo com o imundo (Levíticos.10.10; Ezequiel.44.23),
a luz com as trevas (II Coríntios .6.14-18).
Isto é contrário ao caráter de Deus.
O criador identificou bem as coisas, dando-lhes nomes.
Observe, em Gênesis 1, o verbo “chamar” (1.5,8,10).
Vamos deixar bem claro:
Luz é dia.
Treva é noite.
Firmamento é céu.
Água é mar ou rio.
Porção seca é terra.
Deus não quer situações indefinidas,
ambíguas ou mal resolvidas.
Quem sou eu?
Quem é você?
Qual é a sua identidade?
Somos servos de Deus?
Então vivamos como tais.
Além disso, Deus colocou cada coisa no seu devido lugar.
Ele não pôs os peixes no deserto,
a lua no fundo do mar ou as plantas no céu.
Alguns ambientes não servem para o servo de Deus,
da mesma forma como não encontraremos demônios na glória celestial.
COERÊNCIA
Existe uma idéia de organização também na expressão
“conforme a sua espécie” (Gênesis.1.11,12,21,24,25).
Deus não permitiu que a figueira produzisse azeitonas,
ou a videira figos (Tg.3.12).
Cada árvore produz fruto e semente conforme a sua espécie.
A coerência é também um princípio espiritual,
um traço do caráter de Deus.
A bíblia compara nossas obras aos frutos.
Uma árvore boa não pode produzir fruto mal ou vice-versa (Mateus.7.15-23).
Não pode, portanto, aquele que se diz filho de Deus,
praticar as obras das trevas, fazendo-se semelhante ao ímpio.
Não é admissível que alguém que se diz cristão seja desonesto,
mentiroso, caloteiro, adúltero ou ladrão (só para citar algumas desgraças do inferno).
Talvez seja um frasco de veneno com rótulo de refrigerante.
Enquanto criava, Deus ia determinando as leis naturais
que regem o funcionamento do universo.
Ao criar os astros, o dia e a noite,
uma série de regras foram estabelecidas
para o movimento cósmico que até hoje continua.
A organização divina é algo extraordinário
que precisamos aprender e colocar em prática, dentro dos nossos limites.
AMOR
Outra lição de Gênesis 1 é a que diz respeito ao amor de Deus.
Não existe a palavra “amor” em nenhum daqueles versículos.
Contudo, nenhum deles está desprovido da manifestação prática do amor de Deus.
Lembro-me de quando eu e minha esposa
preparávamos o quarto para o nosso filho, que estava para nascer.
Fizemos uma reforma, mudamos tudo, paredes, teto, móveis e detalhes de decoração. Montamos, da melhor forma possível, um quarto lindo para o nosso bebê.
Muito mais fez o Senhor, preparando tudo para receber o homem,
o ponto máximo de sua criação.
Vemos, em tudo isso, o grande amor de Deus por nós.
PROPÓSITO
O texto de Gênesis 1 nos ensina também que Deus age com propósitos,
não por acaso nem por acidente.
O desígnio divino está em cada versículo,
mas fica mais evidente naqueles onde encontramos a preposição “para”,
indicando a finalidade da coisa criada:
os luzeiros para iluminar a terra,
para fazer separação entre o dia e a noite
e para auxiliar na organização do tempo.
Os vegetais foram feitos para servirem de alimento,
além de outras utilidades.
Todas as criaturas têm seus propósitos idealizados por Deus,
mesmo que o texto não os mencione e nem sejamos capazes de compreendê-los.
Sendo assim,
o Senhor teve um propósito também ao criar o ser humano.
Deus o criou para ter alguém semelhante a ele,
com quem pudesse ter comunhão.
Afinal, Deus não teria um diálogo com as plantas
nem um envolvimento afetivo com os asteróides.
O homem seria também o representante de Deus na terra,
governando o mundo (Gênesis.1.26).
Por fim, o homem foi feito para o louvor e a glória do Senhor (Isaías.43.21).
O relato da criação nos faz concluir que Deus valoriza o ser humano.
Enquanto as coisas foram criadas pela palavra de Deus,
o homem foi formado por suas mãos.
Foi um trabalho especial.
Se Deus valoriza o homem,
nós também devemos nos valorizar.
Cada pessoa deve respeitar o seu semelhante,
pois todos nós somos amados pelo Senhor.
Continua no próximo post...